O Dicastério para a Doutrina da Fé está preparando um documento sobre a transmissão da fé, baseado numa ampla consulta a conferências episcopais em todo o mundo.
O prefeito do dicastério, cardeal Víctor Manuel Fernández, disse ao National Catholic Register, da EWTN, que o texto está sendo escrito “em diálogo com o Dicastério para a Evangelização”. O cardeal não deu uma data para a publicação.
O cardeal Fernández disse que as origens do documento remontam, em parte, à exortação apostólica Evangelii gaudium, do papa Francisco, publicada em 2013. O papa argentino “valorizava muito a piedade popular e a família como meios de transmissão da fé”, disse o cardeal, mas disse na Evangelii gaudium — embora não exatamente com essas palavras — “que essa transmissão foi interrompida”.
O cardeal Fernández disse que o trabalho no documento ganhou impulso depois que bispos de várias partes do mundo, em várias visitas ad limina ao Vaticano, “falaram sobre essa preocupação e propuseram um estudo sobre o problema e possíveis maneiras de resolvê-lo”.
A iniciativa ganhou maior importância quando cardeais e bispos membros do Dicastério da Doutrina da Fé foram consultados em duas de suas reuniões mensais. Na primeira dessas reuniões, a necessidade de um documento foi confirmada e um “diálogo frutífero ocorreu”. Várias consultas foram então realizadas com especialistas e um “primeiro rascunho foi preparado”, que “serve de base” para o documento em elaboração.
O cardeal disse que, em visitas ad limina subsequentes, o escopo foi ampliado e, na segunda reunião, o dicastério decidiu “fazer uma consulta muito ampla com todas as conferências episcopais, vários especialistas e centros de pesquisa”.
“A resposta tem sido enorme”, disse o cardeal Fernández, dizendo que “muitas conferências já enviaram suas opiniões e recursos úteis”. Ele disse que o dicastério ficou “surpreso tanto com a quantidade quanto com a extensão das respostas recebidas” e previu que “levará muito tempo para ler e utilizar todo esse material”.
O cardeal argentino disse que a abrangência da consulta garante “uma perspectiva universal, englobando uma ampla variedade de pontos de vista”, e falou sobre diferenças regionais significativas na maneira como o desafio de transmitir a fé é vivido.
“Basta considerar que, mesmo entre os países de maioria muçulmana, as perspectivas dos bispos sobre essa questão variam muito”, disse ele. “A experiência pastoral dos episcopados do norte da África não é a mesma que a do Mali; a perspectiva da Turquia não é a mesma que a do Paquistão. Na Europa, a Polônia não é a mesma que a Alemanha, e a Itália não é a mesma que a Inglaterra. Na América Latina, a Argentina não é a mesma que a Colômbia, e o Brasil não é o mesmo que o Peru”.
Fonte: ACI Digital







